5ª Romaria da Terra e das Águas da Diocese de Pres. Prudente
Assentamento Bom Pastor – Sandovalina - SP
Pontal do Paranapanema / SP – 13/09/2009
CARTA À SOCIEDADE
A Romaria deste ano é uma continuação das denúncias contra
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o avanço e os malefícios da cana de açúcar na região;
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a falta de políticas públicas para promover a Agricultura Familiar;
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o Projeto de Lei 578/2007 de autoria do governador do Estado de São Paulo, que legaliza a grilagem de terras no Pontal.
O local que nos acolhe, Assentamento Bom Pastor - Sandovalina SP, é um símbolo de luta corajosa de mulheres, homens, crianças, adultos, jovens e idosos, que celebram o seu 12º aniversário de conquista da Terra. É neste chão que queremos afirmar o nosso compromisso com os povos da terra e das águas.
Vivemos numa época da história que nos obriga a abordar a temática da terra e da reforma agrária no contexto de agressões cada vez mais violentas ao meio ambiente, aos ecossistemas e à própria vida. Nesta Romaria queremos afirmar que as canas destroem nossas terras e nossos sonhos. Queremos afirmar também que o etanol não é uma energia “limpa”, ao contrário, gera degradação do meio ambiente, ameaça à soberania alimentar e propicia exploração do trabalho. Ao contrário do que é divulgado pelos governos o monocultivo da cana tem avançado em terras férteis. Terras antes destinadas à produção de alimentos agora são transformadas em extensos canaviais. Outra constatação é a instalação de usinas sucroalcooleiras em nossa região para forçar a legalização da grilagem de terras. O governo de Estado tem contribuído para que isto aconteça apresentando o Projeto de Lei que regulariza a grilagem no Pontal.
O agronegócio é apresentado pelo governo como compatível com a preservação do meio-ambiente, entretanto, o latifúndio dos monocultivos é privilegiado à revelia da legislação ambiental e dos mais elementares direitos dos povos que pagam o preço da desterritorialização e da marginalização. A ideologia desenvolvimentista do atual governo, alicerçada na produção de cana-de-açúcar, desconsidera o desejo da reforma agrária da maioria da população do Pontal.
Em suma, os governos têm abandonado teórica e politicamente o tema e o compromisso da Reforma Agrária. Assistimos à ausência programática por parte dos governos de uma proposta de desenvolvimento rural a partir dos camponeses e das camponesas. Os governos não tiveram a ousadia de propor um programa amplo e profundo de reforma agrária para sanar as aberrações fundiárias no campo. O Brasil continua sendo um dos países em que há mais concentração de renda e terra, além de manter um alto índice de pobreza e fome. Nenhum governo realizou uma política agrária compatível com as demandas históricas dos trabalhadores.
Hoje, os trabalhadores e trabalhadoras enfrentam adversários, que articulam setores expressivos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, elites tradicionalmente hostis à reforma agrária e que visam judicializar e criminalizar os movimentos sociais e os defensores dos direitos humanos. Diante disto, a CPT apóia toda forma de organização e articulação que possa garantir o protagonismo político dos povos da terra e das águas em defesa da vida.
Esperamos que a Romaria, juntando o campo e a cidade, busque promover a unidade entre os que lutam pela transformação desta segunda região mais pobre do Estado de São Paulo, e estimule um compromisso ainda maior na denúncia deste modelo econômico empobrecedor que se instala em nossa região, pois justiça é repartir a terra para multiplicar o pão.
A 5ª Romaria da Terra e das Águas continua em denúncia. Incomodando os que detêm a justiça e praticam as injustiças, desafiando os que emperram a reforma agrária, espantando os acomodados e alegrando os generosos, numa busca constante para que chegue o dia em que o povo conquiste a terra e a transforme no melhor lugar para se viver.
Na fidelidade ao Deus dos pobres, a serviço dos povos da terra e das águas queremos
“ver brotar o direito como água e correr a justiça como riacho que não seca” (Amós 5, 24).
CPT – MOVIMENTOS SOCIAIS – PASTORAIS SOCIAIS – IGREJAS – SINDICATOS |