Seja bem vindo(a) ao Portal Informativo da Comissão Pastoral da Terra do Estado de São Paulo!!!

11ª ROMARIA estadual DA TERRA E DAS ÁGUAS

itapura, 06 de setembro de 2009

CARTA À SOCIEDADE

            Primeiro, a terra e a paz foram roubadas dos índios. Depois foram prometidas, mas nunca entregues aos negros e brancos pobres. Em honra desta memória e em busca da paz e da justiça, hoje, dia 06 de setembro de 2009, num assentamento da Reforma Agrária no interior de São Paulo, município de Itapura/SP, esta Romaria da Terra e das Águas busca fortalecer a luta de libertação dos trabalhadores e trabalhadoras explorados pelo capitalismo no campo.
Na reunião da fé de diversos credos, tendo o Rio Tietê como testemunha de todas essas violências ao longo de todos esses anos, nossa voz se une ao murmúrio de seus afluentes para afirmar que devemos fazer o sonho seguir.
            Olhando para as margens do Rio Tietê veremos homens e mulheres na luta pela paz. Somos muitos e caminhamos juntos celebrando nossa luta, sempre em comunhão com a vida de Jesus Cristo que venceu o mal com sua cruz. Denunciamos vivamente os projetos de morte instalados em nossa região para manter viva a esperança da partilha da terra, das sementes e dos frutos ainda por descobrir.
            Nesta região são 40 conquistas arrancadas do latifúndio. Desde 1977, foram feitas ocupações, acampamentos, marchas, manifestações públicas e ecumênicas, de Andradina e Ilha Solteira, de Araçatuba a Jales, para pressionar, para chamar a atenção sobre injustiças que diminuem o ser humano e destroem a paz.
            A verdadeira paz, tão querida e negada, só virá da justiça: quando todos e todas tiverem condições de vida digna e feliz, como bem profetizou Isaías: “o fruto da justiça será a paz” (Is 32,17).
            O assentamento onde nos encontramos se chama Roseli Nunes. Mãe, camponesa, jovem guerreira, morreu nos primeiros anos de luta do Movimento Sem Terra, em 1985. Roseli é um exemplo para todas as mulheres, porque se rebelou e ousou sonhar com um mundo novo. Muitos acampamentos e assentamentos pelo Brasil honram o seu ideal, pois levam o seu nome, como aqui em Itapura. Da mesma maneira a evocação de sua palavra de ordem coroa a memória dos mártires da Reforma Agrária: “prefiro morrer lutando do que morrer de fome”. Nesta Romaria é isto que queremos assumir
            Muitos espinhos de injustiças, ainda hoje, conspiram contra a paz:
A expansão excludente da monocultura da cana concentra terras e agride a natureza em detrimento dos povos da terra e da produção de alimentos;
            As famílias sem terra acampadas são freqüentemente despejadas pelas forças repressoras do governo do Estado de São Paulo;
A perseguição aos líderes e a criminalização de seus movimentos, quando, muitas vezes, as fazendas já foram decretadas improdutivas e os proprietários são conhecidos  caloteiros. Nesta região de romaria são mais de dez áreas nesta situação;
A falta de vontade política dos governos para realizar a Reforma Agrária  e fazer a Reforma Agrária dar certo. Não promovem vistorias, não revisam os índices de produtividade e cortam recursos. Os juízes federais não cumprem a Lei do Rito Sumário, que determina a emissão na posse das terras improdutivas em 48 horas. Assim, por ganância e estupidez, 65 milhões de brasileiros alimentam-se de forma precária, sendo que, 32 milhões destes, passam  fome diariamente e vivem a mercê de doenças e amarguras.
            O modelo imperialista que vem sendo implantado no campo – agronegócio -, voltado para atender as exigências do mercado internacional, baseado no velho latifúndio, mas utilizando tecnologia moderna, recebe rios de dinheiro do governo federal, enquanto que aos pequenos e médios produtores são ofertadas apenas migalhas. Neste ano, foram mais de 120 bilhões de reais para os poucos grandes fazendeiros do agronegócio e apenas 15 bilhões para ser repartido entre os muitos pequenos  e médios produtores que põem o alimento em nossa mesa.
            A paz é uma tarefa em constante  construção. O caminho deve ser o de criar uma sociedade justa, fraterna e igualitária na qual homens e mulheres possam viver dignamente como irmãos. Somente, então, a paz será fruto natural da justiça e ninguém mais morrerá de fome nem precisará morrer porque luta.

Cpt – Ceb’s ­  Movimentos Sociais – Pastorais Sociais - Igrejas – Sindicatos


Copyright © 2006-2009 | Todos os Direitos Reservados | Créditos