Esalq aponta queda de trabalhadores no campo
Pesquisa realizada por economista da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da USP, revela que o número de trabalhadores rurais do setor canavieiro diminuiu 20,9% em todo o Brasil de 1981 a 2004, passando de 625 mil para 494 mil. Já o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Presidente Prudente aponta crescimento de 30% na mão-de-obra empregada pelo setor sucroalcooleiro no Pontal do Paranapanema de 2007 em relação a 2006. O sindicato afirma que a tendência brasileira de queda no campo se confirmará na região em 2008. Além disso, entidade e a pesquisa apontam que, no futuro, problema de mecanização do setor canavieiro vai promover desemprego no campo. A comparação da safra da cana de 2007 em relação a 2006 mostra crescimento do setor no Pontal do Paranapanema.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Prudente, João Altino Cremonezi, explica que, no momento, final da safra da cana-de-açúcar para usinas, as empresas estão contratando, inclusive utilizando trabalhadores rurais do norte do Paraná. “Na região, a redução do número de empregados do setor sucroalcooleiro só vai começar a ser sentida a partir de 2008 e mesmo assim será gradativa. As novas usinas implantadas ainda estão contratando para o plantio”, afirma.
Cremonezi afirma que, com a redução, os trabalhadores rurais vão ficar sem emprego. “A maioria das pessoas que atua no corte da cana não tem escolaridade ou sabe desempenhar outra profissão. Onde elas serão inseridas?”, questiona. Dados da Assessoria de Imprensa do governo estadual apontam que 62% dos cortadores de cana não chegaram até a quarta série do ensino fundamental e 57% têm entre 17 e 29 anos. Inclusive, segundo informações da assessoria, o governo através de suas secretarias está realizando discussões sobre a mecanização da colheita da cana e seu impacto no mercado de trabalho.
Segundo Cremonezi, hoje não existem políticas públicas socias de inclusão deste trabalhador rural. “As usinas estão trazendo o desenvolvimento para a região, a cana representa um bom negócio para municípios, Estado e União, mas seu crescimento deve ser pensado, para que o trabalhador não seja prejudicado”, diz. O presidente do sindicato aponta que, daqui a sete anos, o desemprego rural vai ser uma realidade também na região de Prudente.
A economista e autora do estudo dos “Indicadores do Mercado de Trabalho da Indústria Canavieira”, Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, explica que a diminuição no número de trabalhadores rurais é decorrente tanto da mecanização do setor da cana, bem como pela proibição, no Estado de São Paulo, da queima da palha. “A mecanização já está desempregando. Estas pessoas não têm escolarização e vão acabar desempregadas até o final do prazo da queima, principalmente”, diz. Ela afirma que atualmente ainda não há políticas públicas de inserção deste trabalhador e que essa deve ser uma preocupação dos governos municipais, estaduais e federal. A pesquisa de Moraes ainda está em andamento. A pesquisadora realizou levantamento do número de empregados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2005 (Pnad).
Exemplo. A empresa Ricci de Prudente trabalha com a venda de colhedoras de cana há quatro anos. O auxiliar de vendas da empresa, Bento Duarte, conta que a Ricci atua na região desde 1997. “Nesse período, não vendemos nenhuma colhedora [para cana]”, diz. No entanto, ele afirma que a expectativa para 2008 é que a venda seja de 20 máquinas modelo 3510. “Com a legislação que proíbe a queima, a esperança é que as vendas sejam impulsionadas no ano que vem”, diz.
A Assessoria de Imprensa da União dos Produtores de Bioenergia (Udop) garante que, hoje, mais de 35% da colheita de cana já está mecanizada no Estado de São Paulo. Em algumas regiões, a assessoria informa que este índice é maior. Na região de Prudente, algumas usinas já mantém 50% de mecanização. O Udop afirma que a mecanização também é impulsionada pela falta de mão-de-obra especializada, bem como pela legislação.
Legislação O governador José Serra (PSDB) assinou em junho protocolo de cooperação entre o governo do Estado e a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), para a adoção de ações destinadas a consolidar o desenvolvimento sustentável da indústria paulista da cana-de-açúcar.
Segundo assessoria de imprensa da Secretaria do Meio Ambiente, a adesão ao protocolo, que tem prazo de vigência de cinco anos, por parte dos produtores de cana e das indústrias que a processam, será voluntária. Ao aderir ao protocolo, os produtores e indústrias deverão, entre outras iniciativas, antecipar o prazo final para a eliminação das queimadas da palha de cana-de-açúcar, de 2021 para 2014 e, em 2010, adiantar o percentual de cana não queimada, de 50%, para 70%. Nos terrenos com declividade acima de 12%, antecipar o prazo final para a eliminação da queima de cana, de 2031 para 2017, adiantando o percentual da cana não queimada, em 2010, de 10% para 30%. Nas áreas de expansão dos canaviais não será permitida a queima da cana. Os que assinarem o protocolo deverão, também, proteger as áreas de mata ciliar, assim como as nascentes de água das áreas rurais do empreendimento canavieiro, recuperando a vegetação ao seu redor, e, ainda, implementar Plano Técnico de Conservação do Solo, incluindo o combate à erosão.
Panorama. Conforme noticiado em O Imparcial, no Pontal do Paranapanema, os trabalhadores rurais do corte de cana-de-açúcar passaram a cortar de 6,86 toneladas por dia em 2004 para 8,74 toneladas por dia na safra de 2007. O levantamento foi realizado com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) do Estado de São Paulo e revelou que houve um aumento de 27% das toneladas cortadas diariamente. A média regional de 2007 é a mesma do Estado. Além disso, na região, houve a valorização da cana na comparação das safras de 2006 e 2007. Uma análise realizada pelo Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Prudente mostrou que a cana apresentou alta de áreas novas de plantio (37%), áreas em produção (5,2%) e de produção (2,3%).
As áreas novas passaram de 38.415 hectares em 2006 para 52.666 hectares em 2007. Já a produção da cana teve alta (2,3%) e passou de 7.386.824 toneladas produzidas na safra de 2006 para 7.557.364 toneladas em 2007.
Fonte: KATIUSCIA REIS-DA REDAÇÃO - JORNAL - O IMPARCIAL – 16 DE SETEMBRO DE 2007-10-14
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