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Produção de cana deve crescer 50% em 4 anos

Previsão é de ruralistas da região; mesmo índice é apontado por relatório governamental, que prevê expansão em todo Estado.

Em quatro anos (2003-2007), a produção de cana-de-açúcar na área de abrangência do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Presidente Prudente, - 21 municípios -, apresentou aumento de cerca de 120% em hectares (ha) plantados, passando de 66.514 ha para 146.164 ha. Fator que culminou no aumento de 67% da produção, que de 4.515.400 toneladas atingiu 7.557.364 toneladas. Desta forma, entidades rurais da região de Presidente Prudente prevêem aumento de mais de 50% na produção de cana-de-açúcar da região em um prazo de até quatro anos.
O aumento de 50% nas produções canavieiras também foi calculado por estudo prévio do relatório elaborado pela Comissão Paulista de Bioenergia, do governo do Estado, que prevê a expansão do produto no Estado de São Paulo, até 2011.
Para o presidente do Sindicato Rural de Presidente Venceslau, Jéferson Platzeck Estrella, na região de Prudente, a produção de cana-de-açúcar se expandirá em mais de 50%. De acordo com ele, isso ocorrerá porque o produto será investido em áreas já degradadas de pecuaristas. “Quando os exportadores de produtos como o etanol conseguirem fechar negócio com países da União Européia, Estados Unidos, Japão e China, a produção irá aumentar muito”, prevê.
Estrella informa que menos de 10% da região prudentina é destinada ao plantio de cana, o que, em termos absolutos, corresponde a uma média de 350 mil a 400 mil hectares. “Dá para triplicar esse índice, e ainda sobrará 70% das áreas agricultáveis para outros tipos de cultura. Existem muitas áreas subaproveitadas na região, por isso acredito que a cana irá reformar e reestruturar essas terras, além de fomentar a tecnificação dos produtores locais”, ressalta.
Essa é a mesma posição do assistente de direção do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Dracena, Sebastião Neto de Carvalho e Silva. Conforme explica, a previsão da expansão de cerca de 50% na produção de cana na região, “culminará em maior desenvolvimento e maior qualidade de vida para a população regional”. De acordo com o assistente de direção, na área de abrangência do EDR de Dracena existem sete usinas sucroalcooleiras em funcionamento nos municípios de Adamantina, Anhumas, Flórida Paulista, Paulicéia, Dracena e em Junqueirópolis, cidade que abriga duas usinas. Conforme já noticiado por O Imparcial em agosto, a Organização Odebrecht S.A. juntamente com a ACP Agropecuária anunciaram a instalação de uma nova usina na região de Prudente, com previsão de implantação em 2009, em Mirante do Paranapanema.
Ainda segundo Silva, na área de abrangência do EDR de Dracena, cerca de 35% das terras já são destinadas ao cultivo de cana-de-açúcar. “A área total é de cerca de 600 mil ha, sendo que aproximadamente 150 mil ha se destinam ao plantio de cana”, diz.
Já o engenheiro agrônomo do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Presidente Prudente, Geraldo Nagai, explica que na área de abrangência do EDR de Prudente, já houve um aumento “muito grande” da produção de cana nos últimos quatro anos. De acordo com ele, entre 2002 e 2003, o produto abrangia 66.514 hectares (ha), com uma produção de 4.515.400 toneladas. Já o levantamento da última safra, realizado em junho de 2007, apontou que existem hoje 146.164 ha (aumento de 119,7% de ha plantados) destinados ao cultivo de cana-de-açúcar, o que culminou na elevação de 67% da produção (7.557.364 toneladas).
Desta forma, Nagai acredita que a cana ainda deva expandir na região em cerca de 30%,”não mais do que isso”. “Em cerca de três anos acho que o setor irá se estabilizar”, opina. No entanto, o engenheiro agrônomo afirma não ter uma posição formada a respeito dos benefícios que a expansão da produção de cana poderá acarretar na região. “O impacto imediato é favorável para a economia regional, já que provoca a geração de emprego e de renda. Contudo, em longo prazo pode ser que o setor perca forças”, diz.
Conforme ele explica, as novas produções são caracterizadas pela euforia inicial, que com o passar do tempo termina. “A cultura de cana é muito esgotante, já que retira muitos nutrientes do solo, que já é fraco na nossa região. Não sei quanto tempo a produção de cana conseguirá se manter”, ressalta. Outro aspecto negativo abordado pelo engenheiro agrônomo se refere às queimas provocadas pela cultura da cana-de-açúcar. “A queima ocorre bem na época da seca, prejudicando ainda mais a umidade relativa do ar”, comenta.

(Fonte:O Imparcial)- 19 de setembro de 2007


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