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A FAVOR DA REFORMA AGRÁRIA E CONTRA O LATIFÚNDIO.

Diante de tantas lutas e iniciativas benéficas, causa-nos indignação a cultura camponesa ser vista ainda como sinal de atraso e o povo brasileiro que vive no campo ser discriminado em seus direitos de acesso à terra.
            Causa-nos ainda maior indignação ver como os movimentos e organizações de camponeses e trabalhadores rurais vêm sofrendo sérios ataques por parte das organizações patronais, do aparelho de segurança do Estado e dos meios de comunicação social. Desde sempre controlados pelas elites dominantes e controladoras da opinião pública, procuram criar uma imagem negativa dos movimentos sociais do campo, sobretudo dos mais combativos.
            Nunca consideram que a concentração de terras que deixa milhões de famílias sem terra e sem trabalho é uma afronta aos mais elementares direitos da pessoa humana, uma agressão à razão humana e uma usurpação ilegítima de um bem comum.
            Diante desta realidade que clama por vida e por justiça, é nosso dever de Igrejas interpretar esses verdadeiros “sinais dos tempos” e testemunhar a palavra da salvação que nos foi revelada e confiada pela bondade de Deus, nosso Pai e Mãe.
São moralmente inaceitáveis a concentração da propriedade da terra e o controle exclusivo do acesso aos alimentos pelo mercado capitalista. O uso da terra para a especulação é contrário ao Evangelho e à doutrina social das Igrejas e não pode ser aceito pela consciência ética da humanidade.
Erradicar a miséria e a fome é um imperativo ético. Exige a distribuição eqüitativa dos benefícios do uso dos recursos naturais e um meio ambiente saudável, adequado para a saúde e o bem-estar. Nossa consciência não pode aceitar que haja mais de um bilhão de pessoas passando fome no mundo, milhões no Brasil, milhares no pontal. O Estado não pode promover políticas que mantêm e expandem modelos comprovadamente causadores desse aumento trágico de miséria e de morte.  Os governos devem cumprir seu dever legal de combater a grilagem, arrecadando para a reforma agrária as terras devolutas.
É necessária e urgente uma política agrícola que tenha como base a  promoção social da vida no campo e seja voltada para as necessidades e condições dos produtores familiares, comunitários e cooperativados.
Nas regiões onde há concentração de pequenos agricultores, a desigualdade é menor e, por conseguinte, os índices de desenvolvimento estão entre os maiores (Dados organizados por Ariovaldo U. Oliveira (USP), com base nos dados estatísticos do Incra- cadastro 2003 – e do IBGE - Censo agropecuário 1995/96).
            Vale a pena ficar do lado dos trabalhadores rurais e lutar para que as terras devolutas do Pontal do Paranapanema sejam do povo e não de um grupo privilegiado. Vale a pena pela ocupação do espaço, pela geração de emprego e renda, pela comparação com outras atividades econômicas. Porque a cada família assentada há uma geração de 4,7 novos empregos, sendo 3 delas diretos. A cada 1 milhão investido na Reforma Agrária, reverte-se em 136 empregos diretos, 31 indiretos e outros 46 induzidos (efeito renda).

A relação de 136 empregos para cada 1 milhão investido coloca a atividade da reforma agrária à frente de setores como transportes, comércio e calçados. (baseado em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), com atualização da Fipe (fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e metodológicas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
(Pe. Jurandir – Comissão Pastoral da Terra – CPT Pontal)

 

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