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Trabalhadores da região cortam 8,74 toneladas/dia

              Na região de Presidente Prudente, os trabalhadores rurais do corte de cana-de-açúcar passaram a cortar de 6,86 toneladas por dia em 2004 para 8,74 toneladas por dia na safra de 2007. O levantamento realizado pela reportagem de O Imparcial com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) do Estado de São Paulo revela que houve um aumento de 27% das toneladas cortadas diariamente.              A média regional de 2007 é a mesma do Estado. Já a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) afirma que, na região, a média chega a ser de 12 toneladas ao dia, o que causa prejuízos à saúde do trabalhador. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Prudente acredita que faltam políticas públicas no setor agrícola. As usinas Alta Paulista e Alto Alegre afirmam já ter a preocupação com saúde do trabalhador. Na região, a Feraesp informa que os 16 mil trabalhadores do corte recebem, em média, R$ 2,80 por tonelada cortada.
                 A reportagem procurou a União dos Produtores de Bioenergia (Udop) para comentar a situação, mas foi informada que a direção não se posicionaria no dia de ontem.
              O diretor regional da Feraesp, Rubens Germano, afirma que o aumento da quantidade de toneladas cortadas ao dia está relacionado à elevação da cobrança por produtividade. “Hoje, por exemplo, os cortadores que vêm de regiões do nordeste para serem contratados, devem ser homens com idade até 30 anos”, diz. Segundo ele, é exigido que esse trabalhador corte até 16 toneladas por dia em muitos casos. “Esta quantidade está fora do normal”, afirma.
Germano afirma que o excesso e o vínculo exacerbados com a produção causam inúmeros danos ao trabalhador. “Na época da escravidão no Brasil, o trabalhador rural cortava cerca de quatro toneladas por dia”, afirma. Ele explica que a cobrança por produção força o trabalhador a ir além da sua carga horária. “Os cortadores acabam não fazendo as pausas necessárias para almoço, lanche e café, extremamente importantes para o desempenho de sua função”, afirma. Germano conta que o grande conflito é que as usinas respeitem os horários de descanso e que este seja remunerado.
                  De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Prudente, João Altino Cremonezzi, o que causou o aumento da produção é a adaptabilidade dos trabalhadores. Ele explica que o sindicato e os órgãos públicos como Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lutam contra os danos futuros causados pelo esforço físico atuais. “Imagina daqui 20 a 30 anos como vai estar a situação deste trabalhador que corta cerca de oito toneladas por dia”, questiona.
Cremonezzi afirma que a situação do trabalhador é preocupante, já que ele desempenha 11.400 facadas por dia no corte da cana. “Dependendo da cana e da largura do plantio, o esforço é ainda maior”, diz. Mesmo assim, ele não acredita que o problema do cortador seja a expansão da cana. “A cana não impede a agricultura família, é bom para o município, já que aumenta o ICMS, para a União, aumento das exportações, e para os trabalhadores com a proliferação do emprego”, diz. Cremonezzi lembra que se o salário mínimo fosse maior, os trabalhadores do corte não estariam expostos a Lesões por Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT), causados pela cobrança da produção. “Essa é uma doença que vai se agravando e reduzindo a capacidade laborativa do cortador”, diz.
Segundo Cremonezzi, a relação que o setor canavieiro tem com a produtividade é impulsionada pela falta de políticas públicas no setor agrícola. “O salário mínimo é pouco e, por isso, muitos setores são levados a cobrarem por produção, no caso dos cortadores e ainda dos vendedores do comércio”, diz. Na sua opinião, a saída é a revisão do salário mínimo e não o impedimento do avanço da cana. “Na Argentina, por exemplo, o salário mínimo é R$ 870,00. Se este fosse o caso do Brasil, os trabalhadores rurais ganhariam um salário digno e não precisariam trabalhar em função da produção”, afirma. Usinas A responsável pelo setor de Recursos Humanos da Usina Alta Paulista de Junqueirópolis, Liberta Portilha da Costa, explica que, para melhorar as condições dos trabalhadores, a empresa coloca em prática, há dois anos, o laudo ergonômico sobre as condições de trabalho. “As paradas obrigatórios previstas na lei do cortador são controlados por ponto eletrônico e, todos os dias, realizamos ginástica laboral no início da jornada”, diz. Segundo ela, com a implantação do laudo, houve uma redução significativa do número de atestados em relação a dores musculares e esforços repetitivos. Além disso, Costa explica que a empresa fornece o repositor alimentar. ”Um alimento enriquecido com nutrientes e vitaminas que elimina dores musculares e provoca bem-estar nos trabalhadores”, explica. Ela afirma que a empresa percebeu que um trabalhador que tenha qualidade de vida vai trazer naturalmente uma maior produção para a usina, sem causar prejuízos à sua saúde.
A assessoria de imprensa da Usina Alto Alegre de Presidente Prudente informa que, desde 2001, se preocupa com a saúde de seus trabalhadores. Através de nota, afirma que essa preocupação foi intensificada com a implantação do Sistema da Qualidade em 2001. A partir desta data, os exercícios ergonômicos que já eram praticados passaram a ser obrigatórios, sendo estes acompanhados diariamente pelos supervisores de área. Os exercícios foram elaborados por um fisioterapeuta do trabalho.
Fonte: KATIUSCIA REIS-DA REDAÇÃO

Jornal O Imparcial - sexta-feira 7 de setembro de 2007


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